A arte de Carlos Calsavara

Escultor de São João del-Rei terá imagem na Catedral da Sé de São Paulo. Cerimônia de bênção e entronização acontece neste domingo (14)

Imagem vai para Catedral da Sé de São Paulo. Foram cinco meses de trabalho para obra ficar pronta (Fotos: Carlos Calsavara)
Nossa Senhora da Assunção. De SJDR para Catedral da Sé de SP (Fotos: Carlos Calsavara)

As mãos que seguram o formão e o martelo são as mesmas que fazem nascer vida de um bloco de madeira duro, frio. Como se operasse um milagre, o artista são-joanense Carlos Calsavara acaricia o material e, de pouco em pouco, a escultura ganha uma aura.

O mais recente trabalho de Calsavara, uma Nossa Senhora da Assunção, já está embalada e segue viagem para seu novo templo. A Catedral da Sé de São Paulo vai abrigar a imagem com pouco mais de um metro concebida pelo artista em cinco meses de trabalho.

Trabalho que requer dedicação e estudo. “Emprego uma técnica milenar da Europa. Ela utiliza materiais orgânicos e minerais. Esses materiais dialogam com a madeira e conferem à peça uma durabilidade secular, desde que bem preservada”, conta Calsavara.

Técnica

Da madeira bruta nasce a vida, cria-se a aura - Nossa Senhora do Rosário
Da madeira bruta nasce a vida, cria-se a aura – Nossa Senhora do Rosário

Segundo o artista, o diferencial de suas obras está na técnica empregada na policromia, no uso das cores. “A madeira precisa respirar. De acordo com o tempo, ela dilata ou retrai, então os materiais têm que se adaptar a esses estados”, explica Calsavara.

Sobre a superfície crua, o artista aplica cola de pele de coelho e branco de Espanha (carbonato de cálcio). Os materiais deixam a superfície lisa e nivelam a porosidade da madeira.

Depois disso, Calsavara lixa e coloca uma argila superfina, chamada bolo armênio, que vai garantir a fixação das folhas de ouro de 22 quilates, conforme atesta o artista. O próximo passo é aplicação da têmpera, mistura de gema de ovo mais o pigmento que colore a peça.

Concluída essa etapa, o artista tem mais trabalho. É preciso fazer o esgrafiado ou ranhuras na obra para revelar as folhas de ouro sob a tinta. Ainda tem a carnação, momento em que Calsavara pinta com tinta a óleo as partes que representam a pele na imagem, como mãos e rosto. A peça só é finalizada com o fixador dos materiais.

O artista não revela preços, mas diz que as peças têm alto custo e só trabalha por encomenda. Os principais compradores são o Clero e colecionadores particulares com alto poder aquisitivo. Para garantir a legitimidade da obra, Calsavara diz que existe documentação de todas as etapas do processo artesanal, como fotografias e a assinatura exclusiva.

Cerâmica

Além do trabalho em madeira, Calsavara é formado em Artes Aplicadas – Cerâmica pela UFSJ. Com a exposição “Memória Líquida”, ele já rodou o país. Parte das peças estão sendo exibidas no Salão Nacional de Cerâmica de Curitiba. Outra parte está no Almacén Galeria, Casa Shopping, na Barra da Tijuca (RJ).

Calsavara tem 37 anos e herdou do pai, carpinteiro, a influência artística. Profissionalmente, faz 19 anos que trabalha como profissional das artes. Para conhecer mais sobre o trabalho do artista, clique aqui

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