Cai cai balão, na rua de ‘São João’

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Será o fim de uma era?

Outra avalanche desliza contra o tucano Aécio Neves. Por três votos a dois, ministros da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram, mais uma vez, pelo afastamento do peessedebista do cargo de senador. A decisão foi anunciada no início da noite dessa terça (26).

Aécio é acusado de corrupção passiva e obstrução da justiça a partir de delação premiada de executivos da JBS. No inquérito da Procuradoria-Geral da República (PGR), o senador teria pedido R$2 milhões a Joesley Batista, um dos donos da JBS, para pagamento de advogados que cuidam de processos que o envolvem na operação Lava Jato.

Na votação dessa terça, os ministros Luís Roberto Barroso, Rosa Weber e Luiz Fux votaram contra Aécio. Já Marco Aurélio Mello, relator do processo, e Alexandre de Moraes, negaram o pedido da PGR de afastar Aécio do Senado. A derrota no STF traz mais complicações para o tucano.

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Empurrãozinho do STF

Agora, ele deve entregar o passaporte, não pode sair do Brasil e é obrigado a permanecer em recolhimento noturno, ou seja, deve ficar em casa à noite. Ele ainda está proibido de entrar em contato com outros investigados no mesmo processo que responde, dentre eles, a própria irmã, Andrea Neves, presa entre 18 de maio e 20 de junho deste ano.

Segundo Fux, Aécio teve a oportunidade de sair por vontade própria do Senado para provar sua inocência. Como o tucano não tomou essa atitude, coube a corte afastá-lo.

“Já que ele não teve esse gesto de grandeza, nós vamos auxiliá-lo a que se porte tal como deveria se portar (…) sair do Senado Federal para poder comprovar à sociedade a sua ausência de toda e qualquer culpa nesse episódio que acabou marcando de maneira dramática, pra nós que convivemos com ele, a sua carreira política”, enfatizou Fux.

Em sua defesa, Aécio nega todas as acusações delatadas pelo executivo da JBS. Os advogados do tucano reforçam a tese de que há uma narrativa de vitimização e vilania imposta pela PGR ao político neto de Tancredo Neves, um dos responsáveis pela difusão do discurso de uma Minas mítica, heroica, repetido várias vezes pelo neto Aécio.

Aécio, santo de casa não…

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Tradição abalada

Já faz bastante tempo que Aécio perdeu campo político dentro do próprio ninho. Em 2012, nas eleições majoritárias de São João del-Rei, a vitória de Helvécio Reis (PT) sobre Nivaldo Andrade, apoiado pelo PSDB, revelou que as coisas já haviam começado a desandar para Aécio nas Vertentes.

Em 2104, outra derrota na cidade dos Neves. Rômulo Viegas (PSDB) obteve 16.918 votos, segundo o TRE, e não conseguiu se eleger deputado estadual. Embora com uma votação menos expressiva, 9.226 votos, o petista Cristiano Silveira foi eleito deputado estadual pelo Quociente Partidário.

Ainda nas eleições de 2014, Aécio venceu Dilma nos dois turnos das eleições em São João del-Rei. Mas o político afeito ao discurso da mineiridade não conseguiu a vitória contra Dilma justamente em Minas Gerais. No somatório dos votos de todo o estado, o peessedebista perdeu para a petista nos dois turnos.

Mas a pá de cal contra Aécio em São João del-Rei veio mesmo nas eleições municipais de 2016. A vitória acachapante de Nivaldo Andrade (PSL) sobre Rômulo Viegas (PSDB) reiterou o enfraquecimento daquele que já foi determinante nos rumos da política na região.

Agora, resta saber se a Justiça vai decretar de vez a morte política de Aécio, ou lhe permitir voltar do limbo e tentar reconquistar o cargo que está impedido, por ora, de exercer.

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