Alzheimer digital pode atingir memória coletiva

 

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Diagnóstico: Alzheimer

Dentro de uma caixa, no fundo do armário, 15 disquetes sobrevivem por quase duas décadas. Mas, para meu desconforto, é inimaginável o conteúdo – se é que ainda existe – armazenado nessas mídias. Etiquetas obscuras nomeiam os discos: fotos, músicas, softwares, tudo aprisionado para sempre na incompatibilidade entre esses ficheiros e novos dispositivos, um novo tipo de Alzheimer.

O único registro que tenho junto de minha avó está numa fotografia em papel, feita quando eu ainda não tinha um ano e há poucos meses da morte dela. Outros ancestrais, que partiram antes do meu nascimento, só conheço pelo registro fotográfico impresso. Não fossem esses arquivos, minha árvore genealógica seria um imaginário difuso de narrativas esparsas.

Parte de estudiosos do mundo digital tem sentenças apocalípticas sobre este novo tipo de Alzheimer. “Não, o seu bisneto não vai conseguir ter acesso às milhares de fotos que você tem no laptop ou no celular”, garante o doutor em Ciências da Informação, Francisco Paletta, em entrevista ao portal GME HUB. Para ele, é inevitável, poderemos perder nossas memórias digitais em um século.

Nada como e bom e velho papel. Mesmo amarelecido pela ação do tempo e condições de armazenamento, é esse material que nos permite conhecer a história da humanidade. Como os Pergaminhos do Mar Morto, com mais de dois mil anos. Os manuscritos registram trechos do Antigo Testamento bíblico. Parte deles foram encontrados intactos em cavernas de Israel.

Alzheimer virtual

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O papel sobrevive

Apesar dos Pergaminhos ganharem sobrevida com a digitalização, isso parece não garantir a perenidade dos documentos que têm até trechos originais do Dez Mandamentos. A obsolescência de softwares e hardwares podem tornar os arquivos incompatíveis com novos sistemas e dispositivos que são atualizados constantemente.

Mesmo o armazenamento em nuvem, que passa por upgrades periódicos e adaptam os dados armazenados às novas plataformas, talvez não assegure a memória dos nativos digitais. As empresas que cuidam de acervos pessoais ou corporativos “podem quebrar e o que você terceirizou se perder”, sugestiona Paletta.

Um outro fator que põe em risco os arquivos digitais são as falhas dos sistemas de segurança da internet. Em maio e junho passados, um ciberataque de hackers sequestrou informações guardadas no ambiente virtual. O crime, batizado como ransomware, exigiu que muitas empresas pagasse pelo regaste dos dados por meio da moeda digital bitcoin.

As empresas de Tecnologia da Informação estão atentas a esse rico da memória fadada a uma espécie de Alzheimer digital. Os investimentos em sistemas sinérgicos e preventivos têm avolumado no mercado de TI. Mas enquanto a perenidade é incerta, vale a dica dos especialistas: guarde o que lhe for mais importante em suportes materiais.

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