Por: Douglas Caputo

Febre mundial desde o dia 05 de julho, o jogo “Pokémon Go” ainda não tem data prevista para chegar ao Brasil. Isso reforça a condição periférica do país em relação às novas tecnologias

Fora da nossa realidade (imagem da internet)
Fora da nossa realidade (imagem da internet)

Para norte-americanos, australianos, neozelandeses, ingleses e alemães já é febre. Com seus smartphones ou tablets eles saem às ruas na caça de monstrinhos Pokémons, desenho que fez sucesso na década de 1990 em todo planeta. Para os brasileiros, o download do jogo, que é gratuito, está bloqueado.

O game coloca as pessoas em uma realidade aumentada. Dos visores de seus equipamentos e através do uso de GPS e câmera, elas veem a paisagem real e, no meio dessa visão, aparecem os monstrinhos que podem ser capturados, treinados e depois levados a ginásios para batalhas. Cada um com superpoderes diferentes (veja o vídeo baixo).

No entanto, segundo o CEO da Niantic, John Hanke, o jogo só deve chegar ao Brasil nos próximos meses. Ele não explica o motivo do atraso, mas isso reforça a condição periférica do país frente aos grandes lançamentos tecnológicos que ganham primeiro o solo de nações empoderadas, não só de capital, mas de tecnologia de ponta.

Pode até parecer bobagem, mas não é. A questão a ser considerada não é apenas um jogo. Mas o fosso que ainda separa o primeiro do terceiro mundo. Sim, somos terceiro-mundistas, dentro de uma geopolítica colonialista.

Talvez o pessimismo possa ser exagerado, mas continuamos exportando, majoritariamente, bananas e recebendo, lá de fora, com demora, os bens tecnológicos subsidiados pelos governos megapoderosos.

Só para se ter uma ideia desse gap científico entre nós e os chamados “desenvolvidos”, ranking elaborado anualmente pela Times Higher Education, a principal publicação dedicada ao ensino superior no Reino Unido, mostra que apenas uma universidade brasileira está entre as top 100 do mundo.

A USP, em 2015, estava na faixa entre os lugares 51 e 60. Em 2016, a Universidade quase saiu das top 100. Despencou para as posições 91 e 100 da lista. Uma prova contundente de que o Brasil negligencia a ciência e nos coloca na velha Divisão Internacional Trabalho. Vendedores de bananas e compradores de tecnologia.

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