Capela do Capão vira point de festas e revolta fiéis

Espaço de fé, Capela do Capão sofre com invasões de pessoas que promovem festas clandestinas aos finais de semana. Rastros de destruição deixam revoltados aqueles utilizam o local para expressar a fé e a espiritualidade

Capela do Capão
Nem mesmo o banheiro foi poupado (Fotos: reprodução de vídeos/ Vanusa Silva)

Moradores de São Tiago se sentiram indignados ao chegar na Capela do Capão nesse domingo (22). Distante cerca de seis quilômetros do centro da cidade, o local estava abarrotado de lixo na manhã de ontem.

Conforme a advogada Liliane Vanusa da Silva, que flagrou e denunciou nas redes sociais o estado da Ermida Nossa Senhora das Graças, uma festa clandestina aconteceu no local, na madrugada de sábado para domingo.

“Chegamos por volta das 8h e a Capela estava tomada pelo lixo. Havia garrafas pet, garrafas de vidro de bebidas alcoólicas, algumas quebradas, e uma quantidade imensa de copos descartáveis”, conta Vanusa.

Além disso, a advogada diz que o banheiro da Capela estava em estado lastimável. “As pessoas jogaram os rolos de papel higiênico dentro da pia e do vazo sanitário, sem contar a sujeira do cômodo”, completa.

Todos os domingos, Vanusa se reúne com a família para ir até a Capela rezar o terço. Mas ontem, as orações foram substituídas pela limpeza do local, o que rendeu muito trabalho para preservar o espaço de espiritualidade.

“Nossa família recolheu todo o lixo. O volume era tanto, que encheu a caçamba da caminhonete. Lavamos o banheiro. Deu vontade de chorar, porque a Capela é um local de fé, de religiosidade”, acentua Vanusa.

Capela sofre com invasões

Capela do Capão
Garrafas de bebidas espalhadas por todos os lados

Essa não é a primeira vez que a Capela do Capão ambienta festas clandestinas. Conforme o zelador do espaço, Tiago Eduardo de Paula, no domingo retrasado (08), o cenário era similar ao de ontem.

“A partir do fechamento do comércio noturno, por conta da pandemia, as pessoas começaram a se reunir na Capela para fazerem festas. Isso é o contrário da nossa intenção”, declara o zelador.

Ele ressalta ainda que a Capela é um espaço para “orações, para expressão da religiosidade e da espiritualidade. Além disso, a Capela virou um ponto turístico. Há quinze dias, chegaram pessoas de BH e encontraram o local como ontem, fiquei até envergonhado com a situação”, revela o zelador.

De acordo com Tiago, ele também fica “triste e chateado” com as cenas de degradação que vêm se repetindo. “É um desrespeito à natureza e a um local de fé. Assim, essas atitudes não trazem nada de bom para as pessoas. Talvez, seja um problema de formação”, acredita Tiago.

Erguida em 1962, a Capela do Capão é cuidada por Tiago desde 2009. A manutenção é praticamente diária. “Levo galões de água, abasteço a caixa, que serve também para o banheiro e deixo tudo arrumadinho”, comenta.

Dessa forma, para manter o Capela, que fica numa propriedade privada, Tiago conta com doações da comunidade e de pessoas que frequentam o local com objetivo religioso.

Conforme Tiago, há uma rede de voluntários que se empenham para que a Capela continue como um espaço de devoção e um atrativo turístico sustentável, principalmente depois da inauguração do roteiro turístico Caminhos de São Tiago.

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