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São-tiaguenses ficaram à luz de velas

As quedas no fornecimento de energia pela Cemig têm prejudicado comerciantes e irritado moradores de São Tiago. Na quarta-feira (24), houve apagão em toda a cidade. Já na quinta (25) pela manhã, a rede ficou instável, com piques ininterruptos.

Dono de uma panificadora, César de Oliveira, acumula prejuízos com interrupções repentinas da rede. Motivo que levou o comerciante a registrar um Boletim de Ocorrência por conta das perdas em seu estabelecimento.

“Contabilizo, em 15 anos de atividade, cerca de R$10 mil de prejuízos decorrentes de queda de energia. Além de um freezer e geladeira queimados, já perdi muita massa de pão, sorvete, picolé”, enumera Oliveira.

Para o comerciante, o maior problema é o tempo de resposta da Cemig para reativar a energia. “Acidentes nas linhas de transmissão podem ocorrer, só que demora muito tempo para resolver o problema. Em São Tiago, devia haver um técnico da empresa para solucionar esses apagões frequentes”, reclama.

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Tensão não chegaria a 220 volts

Proprietária de um açougue, Aparecida de Castro Resende, também está preocupada com a sequência de blecautes. Como trabalha com equipamentos que demandam muita energia e produtos perecíveis, a comerciante não pode ficar no escuro.

“A câmara fria trabalha em 220 volts. Quando a energia retorna de um apagão, ela volta com apenas uma fase, mas a câmara usa duas. Isso pode danificar ou até mesmo queimar o equipamento”, afirma Aparecida.

Para a comerciante, o problema ainda é mais grave com as carnes. “Se ficar cerca de quatro horas sem energia, o maquinário de conservação fica na temperatura ambiente e, com isso, perdemos a mercadoria”, completa Aparecida.

Estudante secundarista, Anita Caputo, reclama que os apagões a impedem de realizar várias atividades. Para ela, a escuridão é um tédio só.

“Não dá para tomar banho, ver TV ou mesmo pedir algum delivery de lanche, porque o comércio fecha ou celular fica sem sinal, além da internet que também sai do ar. Ainda há o problema da segurança, já que as ruas da cidade ficam muito escuras”, destaca Anita.

Cemig

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Cemig registrou 58 minutos de desabastecimento

Em entrevista por telefone, a Assessoria de Comunicação (Ascom) da Cemig disse à reportagem do TREM DE LER que o desabastecimento na última quarta-feira, segundo o sistema da empresa, foi de 58 minutos.

“Houve uma interrupção em Conceição da Barra de Minas e foi feita uma interligação com a rede de São Tiago para alimentar Conceição da Barra. Logo depois, houve um problema de interrupção em São Tiago e até ontem vocês ficaram com a energia intermitente. Mas ainda não se sabe o motivo que levou a essa perturbação da rede em São Tiago. Isso está sendo apurado”, informa a Ascom.

A Assessoria afirma ainda que “há fortes indícios que a falha possa ter ocorrido no sistema telecomandado através de telefonia celular. Então, pode ser algum problema na comunicação que gerou essa perturbação. Mas isso só pode ser confirmado com a investigação do fato, em andamento”.

Quanto ao tempo de resposta para religar a energia na cidade, a Ascom comenta que “isso depende do tipo de problema, cada serviço leva um tempo. Mas pelos parâmetros da empresa, um tempo de 58 minutos para o restabelecimento é razoável”.

Sobre a tensão, que não atingiria 220 volts em empresas locais, a Assessoria sugere que sejam abertas reclamações nos canais de comunicação da Cemig, pelo telefone 116, no site da empresa, ou na agência de São João del-Rei.

Prefeitura

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Prefeitura espera visita de técnicos

Embora o abastecimento elétrico dentro de imóveis não seja de responsabilidade do poder público municipal, a Administração de São Tiago se encontrou com executivos da Cemig em abril do ano passado para tentar resolver o problema dos apagões constantes.

Segundo o prefeito, Denilson Reis, o encontro em 2017 teve como objetivo “solicitar da direção da empresa uma estabilidade na prestação de serviços”.

Na oportunidade, o executivo levou um ofício que relata a “má qualidade da energia fornecida, principalmente em horários de pico. Fato que prejudica os equipamentos de padarias, principal atividade econômica da cidade”.

“Os técnicos e dirigentes que nos receberam confessaram que existe uma falha da Cemig em não ter construído uma segunda linha de fornecimento. Quando acontece algum tipo de interrupção, tem que esperar os trabalhadores da empresa consertarem a única linha que temos. Então, São Tiago precisa receber investimento por parte da Cemig para construção dessa segunda linha de fornecimento”, ressalta Reis.

O prefeito diz ainda que durante a reunião de abril passado foi marcada uma vinda de técnicos a São Tiago para fazer avaliações da rede. “Mas isso não ocorreu, embora tenhamos tentado por várias vezes remarcar a reunião com eles, não tivemos retorno até então”, conclui o executivo.

A Ascom da Cemig preferiu não comentar as declarações do prefeito.

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