Diabo é o pai do Rock. Será?

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Profeta do mundo inferior?

Prepare-se para uma viagem ao universo do ocultismo. Ao longo da história, grupos de rock foram associados ao Diabo. Será que eles são adeptos dessas doutrinas ou as usavam como elemento de marketing que reforça a imagem de rebeldes contra o sistema?

“O diabo é o pai do rock! Então é very god rock!”. A letra de Raul Seixas e do escritor Paulo Coelho virou um hit, em 1982, com o lançamento do disco “Eu Raul Seixas”. A composição resume o que muitas pessoas afirmam a respeito do gênero musical. Um movimento ligado ao ocultismo, às trevas, ao satanismo.

A dobradinha entre Raul e Coelho já havia rendido outro bafafá, com “Sociedade Alternativa”, do disco “Gita”(1974). O trecho, “Faz o que tu queres/Pois é tudo/Da Lei! Da Lei!”, é uma citação da obra do filósofo inglês do século 19, Aleister Crowley. Criador da chamada Doutrina Thelema.

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Herança do Diabo

Mas, Mr. Crowley ganhou fama mesmo foi com a música homônima Ozzy Osbourne, gravada em 1980, no disco Blizzard of Ozz. Em seu “Livro da Lei”, o pensador inglês defendia que “todo homem é um indivíduo único e tem direito a fazer o que quer”. Por isso, qualquer ação humana deveria ser vista dentro da lei.

Autodenominado como “666” (número da Besta), Crowley também foi influência para os britânicos do Iron Maiden. Não por acaso a banda lançou o disco “The number of the Beast” (1982). A música de trabalho, com o mesmo nome do LP, começa com versos de evocação a Satã. “Ai de você, oh, terra e mar/ Pois o diabo envia a besta com ira/ Porque ele sabe que o tempo é curto”.

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Rock do Diabo

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entre cruzes e demônios

Black Sabbath – britânicos de Birmingham, o grupo de quatro jovens se uniu em 1968. Encabeçada pelo vocalista Ozzy Osbourne, a formação original da banda perdurou até 1979.

O imaginário que liga os headbangers aos rituais satânicos vem da identidade visual adotada. Desde o início da trajetória do grupo, cruzes e demônios estampam as capas de diversos álbuns.

Pioneira no uso de imagens pagãs, o próprio nome da banda revela seu caráter satânico. Inicialmente batizado como Butler, o conjunto foi obrigado a trocar de título. Outro grupo já havia patenteado o termo.

A escolha de Black Sabbath não é sem motivo. O termo indica uma reunião de bruxos para cultuar Lúcifer. O encontro é celebrado no final de semana da Páscoa, à meia-noite de sábado. Reza a lenda que, nessa ocasião, o Diabo estende a mão para seus cultores.

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As portas para o desconhecido

The Doors – o psicodelismo do grupo norte-americano nascido em 1965 alimentou ainda mais a ira daqueles que julgam o rock como filho legítimo do Capeta. A primeira influência teria vindo dos versos do poeta inglês do século 18, William Blake.

“Se as portas da percepção forem limpas, as coisas irão surgir como realmente são, infinitas. Entre as coisas conhecidas e as coisas desconhecidas existem as portas”, dizia Blake.

Outra influência do grupo é atribuída a Aldous Huxley, escritor inglês do século 20. A obra “As Portas da Percepção ou O Céu e o Inferno”, publicada em 1954, foi fundamental para os Doors, que cultuavam o paganismo transcendente, personificado na figura obscura do vocalista Jim Morrison.

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Ocultismo

Led Zeppelin – nascido em 1968, o grupo britânico é o que acumula mais acusações de que as letras de suas músicas possuem mensagens subliminares. Ao serem tocadas em reverso, as composições revelariam termos satanistas.

Guitarrista do Led, Jimmy Page fez uma profunda imersão na obra do “bruxo” inglês Aleister Crowley. O cara também adorado por Ozzy. A relação de Mr. Crowley com o profano se consolida na adoção da filosofia hedonista.

Esse movimento coroa a busca pelo prazer, que inclui sexo e drogas, como essência da vida terrena. Page não só adquiriu manuscritos do bruxo, com também comprou a mansão do anticristo, à beira do Lago Ness, onde aconteceria rituais ligados ao ocultismo.

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Estrada para o inferno

AC/DC – o conjunto formado inicialmente pelos irmãos Angus, Malcolm e George Young precisava de um nome para a primeira apresentação, depois de se mudarem da Escócia para Sidney, na Austrália. Veio da máquina de costura da irmã a designação.

Inscrito no equipamento, o termo AC/DC é a abreviação de “corrente alternada/corrente contínua”, em português. Mas foi ao batizar álbuns e canções que os roqueiros foram conectados ao universo de Mefistófeles.

O disco “Highway To Hell” (Rodovia para o Inferno, 1979) e a canção “Hell’s Bells” (Sinos do Inferno) incluíram os músicos entre os praticantes satanismo. Essa fama ainda ganhou mais força pelo fato de um assassino ter confessado que teria matado sob a influência do AC/DC.

Contestação pelo Diabo

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Demônios ou Santos? Ozzy Osbourne

Muito embora não seja comprovada a ligação entre as bandas e as práticas satanistas, sabe-se que o estilo do rock nasce justamente com a intenção de romper, com rebeldia, os padrões de vida capitalista cristalizados socialmente.

Na corrente da chamada contracultura, expressão estética e social que ia contra o establishment, os grupos de metaleiros fundaram as bases de sua atuação num frenesi de letras e identidades visuais que chocavam os puritanos.

O que levanta a hipótese de um marketing que trabalha o cenário do inferno como palco de ação dos grupos que se consolidaram entre as décadas de 1960 e 1980.

Independentemente de ser pagão ou não, o gênero musical revela sua força, que permanece, até hoje, acumulando legiões de adoradores em torno do estilo.

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