Doutores da alegria receitam risadas para melhorar pessoas doentes

Eles não entendem de Medicina, mas têm a receita que ajuda a sarar muita gente. O palhaço que finge de médico não brinca em serviço e traz ânimo para debilitados 

Na receita, 500 mg de alegria e duas injeções de riso por dia
Na receita, 500 mg de alegria e duas injeções de riso por dia

Reza a lenda que um sorriso no rosto é remédio para muitos males. Pensando nisso, uma trupe de estudantes da UFSJ e de escolas de São João del-Rei, no Campos das Vertentes (MG) se transforma em “doutores da alegria” para ajudar pessoas debilitadas.

Fantasiados com cara de palhaço e jaleco branco, os também chamados “doutores por um triz” fazem visitas nas quintas e sextas-feieas a entidades como o Albergue Santo Antônio, Hospital das Mercês, Santa Casa de Misericórdia e Clínica Infantil Sinhá Neves.

Nenhum desses doutores é médico ou faz Medicina. Orientados pela professora de Teatro da UFSJ, Cláudia Braga, os estudantes são movidos pela vontade de levar alegria para quem está internado em uma instituição de saúde.

“Nossa coordenadora sempre fala que nós não somos médicos, não precisamos saber o motivo de a pessoa estar ali. Nosso objetivo é só fazer a pessoa rir e esquecer que está no âmbito hospitalar”, afirma o aluno do curso de Teatro, o “doutor-assistente” Guilherme Soares.

O projeto é inspirado no trabalho de Hunter Adams, médico norte-americano que se tornou famoso pelo método inusitado de tratamento. Não por acaso sua história virou filme, “Patch Adams – O Amor é Contagioso”, estrelado pelo ator já falecido Robin Williams.

Adams, o médico de verdade, propunha modificações no atendimento, por meio de maior humanização e, consequentemente, maior afeto na relação médico-paciente. A teoria do doutor é que o riso facilita a cura e promove a saúde.

Graduação em risada

Eles só ganham fantasias e apelidos depois que passam pela residência com especialização cômica
Eles só ganham fantasias e apelidos depois que passam pela residência em especialização cômica

O calouro do grupo estreia como “oiante”, quando acompanha as visitas, mas sem entrar nos quartos. Depois, como “doutores-assistentes”, os participantes se juntam aos alunos mais experiência no contato direto com os pacientes.

Mas a fantasia só vem quando os “assistentes” viram “doutores graduados” e ganham apelidos como “doutor insistente” ou “doutora índia”, que são escolhidos pelos colegas. Aí, como quase super-heróis vestidos com suas fantasias, é só usar as identidades secretas e os poderes mágicos para arrancar os risos.

Exemplo disso é o estudante Matheus Ladeira. No projeto há quatro meses, ele já sente o prazer de ver o riso estampado no rosto de quem está acamado. “Você vê que, quando entra nos quartos, as pessoas estão tensas, mas depois elas se distraem, esquecem que estão no hospital”, afirma.

‘Palhaçoterapia’

O trabalho dos doutores da alegria, além de risos, tem trazido melhora para os pacientes. É o que garante Camila Gonçalves Macedo, mãe da pequena Rebeca, de apenas um ano e já internada.

“Tudo é muito colorido, chama a atenção das crianças, aí elas se distraem e acabam melhorando mais rápido”, comenta Camila.

Enfermeira do Albergue Santo Antônio, Katiucia Carolina Canaan concorda. “Eu vejo como positivo esse momento de descontração. Dá pra ver a satisfação no semblante. Os idosos que são lúcidos relatam pra gente a ansiedade de esperar o dia dos doutores”, conta.

Os interessados em fazer parte dessa trupe de comediantes da cura devem enviar e-mail para: doutoresporumtriz@gmail.com

Reportagem e fotos: Ana Resende Quadros, Clara Rita e Elaine Maciel / VAN

Edição: Douglas Caputo

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