Já faz 127 que o Brasil deixou de ser uma monarquia parlamentarista e se transformou em uma república presidencialista. De 15 de novembro de 1889 para cá, pouca coisa mudou

A autointitulada República Federativa do Brasil ainda preserva traços de um país colonizado pelos imperialistas
A autointitulada República Federativa do Brasil ainda preserva traços de um país colonizado pelos imperialistas

O termo república vem do latim res publica, que significa coisa pública. Responsabilidade do povo, que outorga a administração do Estado a representantes eleitos diretamente pelo voto popular. Já as bananas, bem, isso é coisa de latinos, mas que somos nós também. Prova disso está na composição de João de Barro. Na letra da marchinha de carnaval, ele assevera, “Yes, nós temos banana”.

Segundo a rede de notícias BBC Brasil, “o termo (república das bananas) foi cunhado pelo escritor americano William Sydney Porter, conhecido como O. Henry, no conto O Almirante, de 1904. A história se passa na Anchuria, país fictício descrito pelo autor como ‘uma pequena república de bananas’. Acredita-se, porém, que Porter tenha se inspirado em Honduras, onde morava quando escreveu a história”.

Conhecer a etimologia das palavras e o significado decantado em expressões populares ajuda a compreender um pouco da história da Nação. No Brasil, a alcunha frutífera marca a famosa Divisão Internacional do Trabalho. Exportamos muito mais produtos alimentícios e compramos mais tecnologia de ponta produzida pelos países mais ricos.

Não podemos negar a evolução do Brasil. “A pobreza extrema no país caiu a 2,8% da população em 2014, quase a terça parte do percentual da população que vivia nessa condição em 2004”, conforme publicação do Portal Brasil em 2015.

Apesar da calmaria daquele ano, a política econômica implantada pelo governo Dilma Rousseff perdeu a chance de integrar o país ao seleto grupo dos emergentes em vias de empoderamento e regrediu a um estágio de colonização diante dos grandes.

Para piorar a situação, o republicano Donald Trump se elegeu presidente dos Estados Unidos. Se cumprir o prometido em campanha, o novo executivo pode incentivar medidas protecionistas para a economia norte-americana, o que vai colonizar ainda mais os países emergentes como o Brasil.

Aliás, só o fato de Trump ter sido eleito demonstra a fragilidade dos ‘pobres’. No Brasil, o dólar disparou e chegou a R$3,40, maior desvalorização entre os países emergentes. A Bolsa de Valores de São Paulo, a principal do país, caiu 1,4%. E para atrair investidores estrangeiros, a tendência é que a taxa de juros aumente para 13,75% ao ano, conforme destacou o jornal Folha de S. Paulo.

Mas e nós, cá de dentro, o que fazemos? Podamos a soberania a favor de interesses estrangeiros. Haja vista o confuso Projeto de Lei (PL) 4567, cujo teor “desobriga a Petrobras de ser a operadora de todos os blocos de exploração do pré-sal no regime de partilha de produção”.

O PL é confuso, já que existe a Lei 12.351/10 que “prevê a participação da Petrobras em todos os consórcios de exploração de blocos licitados na área do pré-sal com um mínimo de 30%”. Trocando em miúdos, os outros 70% podem cair nas mãos de transnacionais como a Shell.

A República foi proclamada e hoje, 15 de novembro é feriado, comemoremos, pois a folga, porque, depois, o aperto volta a rondar nossas vidas. Na republiqueta das bananas, desordem e regresso. Golpe e corrupção para todos os lados. Mas vamos carnavalizar a crise e seguir com a marchinha de João de Barro:

Vai para a França o café, pois é

Para o Japão o algodão, pois não

Pro mundo inteiro, homem ou mulher

Bananas para quem quiser

 

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