“Ensino médio sem arte e sem esporte: ensino médio sem vida!!!”

Por: João Bosco de C. Teixeira*

Nesses últimos dias, a mídia e a sociedade em geral tiveram, na medida provisória do Governo sobre o ensino médio, um prato cheio. Anoto algumas das manchetes encontradas, sem ter tido que procurar muito

Que escola queremos para nossos jovens? Uma que educa ou uma que ensina? (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Que escola queremos para nossos jovens? Uma que educa ou uma que ensina? (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O Brasil corre atrás do ensino médio” é uma primeira manchete, velha, velha. Sobre isso já escrevi e emiti opinião da qual ainda não me afasto. Outras manchetes retratam bem o que vamos vivendo em termos administrativos.

O “ensino médio excluirá artes e educação física”; “Temer recua e dá sobrevida a artes e educação física em MP”. Que desastre! Que confissão de incompetência. Que proclamação da falta de planejamento. Que acusação contra assessores. Também pudera:

“Retrocesso que veio de cima para baixo”; “O Ministério Público considera pouco democrático que a reformulação do ensino médio tenha sido por meio de medida provisória”. É isso. Como é possível resolver “A calamidade histórica da Educação de Base” (Cristóvão Buarque) com medida provisória. Brincadeira. Irresponsabilidade. Prepotência. Desprezar a contribuição da população pensante do país em matéria tão séria.

Sei que as pessoas envolvidas no projeto atual são pessoas da área e sérias. Mas, passar por cima do Congresso Nacional nessa matéria é triste. E nem considero imprescindível isso de “Estudantes querem ser ouvidos sobre reforma do ensino médio”.

Não, não vejo absoluta necessidade desse pleito. Acho que verdadeiros professores, isto é, aqueles que são educadores, portanto muito próximos dos alunos, sabem dizer não só ao que deve ser feito, como o que é que os alunos pensam e de que eles necessitam. A visão dos alunos é de pequeno alcance. Imediatista.

O mais terrível para mim é, na verdade, o fato de ter sido por medida provisória. Esta se justifica quando há “urgência e relevância”. Ora, da “urgência” ninguém duvida. Só que, segundo Tiago de Melo, “urgência nunca foi pressa”.  E “relevância”, também evidente, é a construção do projeto educativo como um todo, pois, fatiá-lo é correr risco de caminhar sem saber para onde.

Aliás, é o que demonstra tal projeto. Estamos, há muito tempo, insistindo no erro de elaborarmos planos e mais planos sem definirmos, inicialmente, o que é que queremos atingir com os planos. Não temos tido coragem e fingimos que não temos tempo, para deixar claro o que queremos com a educação básica.

Continuamos fazendo planos e entregando ao ensino superior jovens que não sabem ler e escrever (criticar, deduzir, induzir, analisar, interpretar, dizer com as próprias palavras o que leram…) e não conhecem a validade e a lógica das quatro operações matemáticas: desconhecem a incidência na vida dos conceitos básicos dessa disciplina.

Ah! Cefets: essas escolas que capacitam os jovens para o trabalho técnico, que lhes dá garantia de sobrevivência digna. Não só como subproduto, capacitam até para um vestibular em universidade pública. Destruíram cinquenta por cento deles, transformando-os em universidades que nunca cumprirão a meta que os Cefets têm. Foram tantos anos para achar a fórmula necessária para o ensino médio e, levianamente, a menosprezam.

Agora, com idas e vindas, falam de um ensino médio sem arte e sem esporte. Isto é, um ensino médio sem respeito à individualidade do aluno, pois para isso arte e esporte colaboram como nenhuma outra disciplina. Ensino médio sem arte e sem esporte: ensino médio sem vida!!!

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*Educador. Mestre em psicologia e administração universitária. Licenciado em filosofia, pedagogia e letras neolatinas, tudo fez em função da educação. Trabalhou na docência e na administração da educação em todos os níveis e redes de ensino. Nos últimos quinze anos dedica-se à teologia qual fonte de libertação, ideal e fim último da educação.

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