Eucalipto, uma necessidade viável e sustentável

Por: Igor Carvalho de Almeida*

Floresta de eucalipto pode ser uma boa alternativa para evitar o desmatamento nativo (imagens da internet)
Floresta de eucalipto pode ser uma boa alternativa para evitar o desmatamento nativo (imagens da internet)

A crescente demanda por produtos florestais requer, observados os aspectos legais, a produção sustentável de madeira. A utilização de florestas plantadas é uma opção que permite a preservação da flora nativa e, ao mesmo tempo, atende à demanda em quantidade e qualidade.

Devido as condições climáticas, o Brasil tem elevado potencial para produção florestal e existe uma demanda crescente dessa matéria-prima para abastecer as indústrias, principalmente com celulose, lenha, carvão e madeira. É bom deixar claro que o Brasil é o maior exportador de aço à base de carvão vegetal, o que movimenta bilhões na economia e gera empregos diretos e indiretos.

Uma planta cresce muito rápido no nosso clima. Enquanto em países europeus uma árvore de eucalipto pode demorar até 20 anos para se desenvolver, em países de clima tropical, igual ao nosso, o crescimento é reduzido para sete anos, o que torna tão viável a produção dessa espécie aqui.

Muitos países utilizam o carvão mineral como fonte de energia, porém, são fontes não renováveis, ou seja, além delas se esgotarem, os gases emitidos pela sua queima não são contrabalanceados quando comparados com a utilização de carvão vegetal. Nesse último caso, as florestas, durante seu desenvolvimento, recuperam o gás carbônico (CO2) do ar pela fotossíntese, equilibrando a concentração de CO2 na atmosfera.

Para a produção de carvão vegetal ou outros derivados, poderíamos utilizar apenas florestas nativas, porém, não me parece sensato dizimar ainda mais os ecossistemas originais, sendo que temos o eucalipto como alternativa.

Sofisma equivocado

Diferente do que muitos pensam, as raízes do eucalipto não ultrapassam dois metros de profundidade, o que não prejudica o lençol freático
As raízes do eucalipto não ultrapassam dois metros de profundidade, o que não prejudica o lençol freático

Existe um sofisma sobre aspectos negativos relacionados ao Eucalipto, muitas dessas afirmações não têm embasamentos e o preconceito é inimigo da ciência. Dizem que o Eucalipto seca a água dos lençóis freáticos, empobrece o solo e gera poucos benefícios econômicos e sociais. Vamos esclarecer esses pontos.

A água é um recurso fundamental a qualquer ser vivo. No caso dos vegetais, a água é necessária para seu crescimento e manutenção. A crença popular afirma que o Eucalipto seca a água do solo e dos lençóis freáticos, mas não é bem assim.

Estudos afirmam que as plantações de eucalipto, no que diz respeito ao balanço hídrico de bacias hidrográficas, não diferem de outras espécies florestais. Ao contrário do que poderia ser esperado, em alguns casos, consomem menos água do que uma floresta natural, possivelmente pela maior densidade de plantas da flora nativa.

Para se ter uma ideia, estudos recentes demonstram a eficiência do aproveitamento de água pelo eucalipto, enquanto um litro produz cerca de 2,9 gramas de madeira, a mesma quantidade de água produz aproximadamente 0,9 gramas de trigo, 0,5 gramas de grãos de feijão.

Quanto ao eucalipto secar o lençol freático, suas raízes chegam no máximo a dois metros e meio de profundidade. Nessa profundidade, não chegaria no lençol, a não ser que fosse plantado ao lado de uma nascente, o que não é aconselhável a nenhuma espécie florestal. Por isso, a importância do acompanhamento de um profissional qualificado.

De maneira geral, o eucalipto não prejudica as reservas de água nos solo mais do que outras monoculturas, como milho, soja ou a cana-de-açúcar. O que ele precisa é de um bom manejo e da assessoria de um profissional para a instalação do plantio.

Uma frase muito utilizada por aqueles que são contra o eucalipto é que ele é ruim porque empobrece o solo, o que significa empobrecer o solo? De maneira simplista, significa retirar os nutrientes que ali estão presentes. Isso se dá após a colheita, quando os nutrientes são exportados.

Todas espécies vegetais exportam nutrientes quando colhidas. As plantas utilizam o que precisa e quando as folhas, os galhos e a casca caem no solo, devolvem esses nutrientes para o sistema. No eucalipto, cerca de 70% dos nutrientes voltam para o sistema dessa forma. De modo geral, apenas 30% é exportado, o que significa que o restante é basicamente Carbono, Hidrogênio e Oxigênio.

Culturas largamente plantadas no Brasil como a soja, o milho e o café utilizam com muito mais frequência esses nutrientes, ou seja, “empobrecem” mais o solo quando não manejadas adequadamente.

As florestas plantadas, quando bem planejadas, além de ser uma excelente opção para as grandes empresas do setor, que movimentam grande parte da economia do país, são também uma boa alternativa para a agricultura familiar, sobretudo em áreas que estão degradadas dentro da propriedade.

O Eucalipto, portanto, é mais uma alternativa de renda para o produtor, que poderia suprir parte da demanda que existe por produtos madeireiros. Nesse mesmo contexto, a atividade florestal supre as necessidades dentro da propriedade para construções, uso de lenha, mourões de cercas diminuindo a pressão sobre as florestas nativas que já estão em um ritmo de exploração e degradação bastante avançados.

Por isso, podemos afirmar que o eucalipto não é esse vilão que todos afirmam com determinismo natural sem embasamento. Florestas de eucalipto são ambientalmente mais saudáveis que monoculturas de ciclo curto.

* Engenheiro Agrônomo e sócio fundador da AgroVertentes Soluções Ambientais e Agronômicas

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