Crianças na Nova Zelândia festejam Dia de Reis que lembra Folias de São Tiago

Regina Resende – Nova Zelândia*

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Novos caminhantes em uma tradição milenar

Mantenho a tradição de fazer o caminho diário dos três Reis Magos no presépio que monto todos os anos. A jornada que começa em 25 de dezembro e termina em 06 de janeiro segue por um caminho que leva à estrela, simbolizada por uma vela que acendo em cada uma das noites, com uma pequena meditação, depois da qual os meus filhos fazem os Reis dar um passo por dia. Agora, só o meu filho mais novo participa desse ritual.

Hoje, 6 de janeiro, resolvi fazer a “chegada” dos Reis pela manhã, para aproveitar a presença dos amigos do meu filho que dormiram em nossa casa. Fiz um bolo gostoso e as crianças fizeram panquecas para comemorar. Para os dois pequenos kiwis (é assim que os neozelandeses chamam a si mesmos) era tudo novidade.

Ontem à noite, foi a primeira vez na vida que cada um deles “andou” um rei por um passo no presépio. Eles acharam muito engraçado. Logo estavam os três, meu filho e os dois amigos, brincando com os Reis no presépio. Depois começaram a brincar de eles mesmos serem os Reis. Inventavam passos, movimentos e sons, enquanto caminhavam e dançavam pela sala, à luz de vela. Eles riram e se divertiram muito.

Resolvi então mostrar a eles um vídeo de Folia de Reis. Ao ver os “palhaços” da Folia com máscara de couro, como as das Folias tradicionais de São Tiago, um dos meninos gritou “Chewbacca”, referindo-se ao personagem de “Guerra nas Estrelas”, e eles logo acharam mais motivo para brincar e se divertir.

Tanta alegria espontânea me fez voltar à infância. Para a criança católica que fui, brincar com os “santos” do presépio talvez parecesse um pecado. Vejo que perdi boas oportunidades. Mas se eu não brincava com os Santos Reis, me encantava com quem brincava.

Folia de Reis

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Encontro marcado com a infância

Eu era fascinada pelas Folias de Reis, com sua música, sua dança, bandeiras e palhaços. Quando vinha a Folia, nós, crianças, ficávamos eufóricas, mesmo que algumas pequenas tivessem medo. Algumas casas se abriam para a saudação ao Menino no presépio.

De outras, ouvíamos a ordem para que as portas fossem fechadas para que os foliões pensassem que não tinha ninguém em casa, pois não queriam “aquele bando de bêbados e vagabundos”.

Talvez essas últimas pessoas considerassem a manifestação muito profana e desrespeitosa. As minhas lembranças de criança das Folias são vibrantes e alegres, uma alegria digna do Menino Jesus sorridente no presépio.

Hoje, do outro lado do mundo, vendo a reação espontânea que os Três Reis provocaram em crianças que nada sabiam deles, me reencontrei com as cores, a música e a alegria das Folias de Reis. Seguir a estrela é motivo de alegria; chegar ao Menino, motivo de festa. Agradeço àqueles que me transmitiram essa alegria nas Folias de Reis da minha infância. Salve!

 

 

 

trem-de-ler

 

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