A fraude na corrida de São Silvestre e a ética nossa de cada dia

Filosofiando I

Jonas Dias de Souza- SJDR*

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“Gastei uma hora pensando em um verso” (Drummond)

Fiquei matutando sobre o que escrever após receber o convite do TREM DE LER. Confesso que andei perdendo o contato com as letras no finado 2017. Ocupado com novas atribuições profissionais que exigiram um maior cuidado.

Escrever sobre quais assuntos? Com os neurônios em polvorosa para que os dedos surfassem pelo mar preto e branco do teclado, impressionando a tela branca de um desgastado notebook.

Decidi então que iria “filosofiar”. O vocábulo, para mim, é um filosofar sem o preciosismo acadêmico. Podemos filosofiar sobre o barulho da chaleira no fogão e a fugacidade da vida. Podemos filosofiar sobre as fraudes na corrida de São Silvestre e a percepção da ausência da ética em ações simples da vida.

Descubro, então, que é impossível filosofiar sem compromisso. Pois as ações simples de nossa vida, quando pautadas dentro da ética, é que irão mudar o mundo. Não pensem vocês que sou um sonhador. Entendam que Ruy Barbosa sempre teve razão, quando em sua “Oração aos Moços” escreveu:

A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural, é que se acha a verdadeira lei da igualdade. O mais são desvarios da inveja, do orgulho, ou da loucura. Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real. Os apetites humanos conceberam inverter a norma universal da criação, pretendendo, não dar a cada um, na razão do que vale, mas atribuir o mesmo a todos, como se todos se equivalessem.

Assim, é que (respeitadas as divergentes opiniões) defendo que se eu quero usufruir do status de corredor em uma prova organizada, eu devo me inscrever conforme as regras.

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Números foram clonados na São Silvestre

Não basta escudar-me sobre as desculpas de que as corridas são caras e que pessoas estão enriquecendo. Se assim fosse, escudar-me-ia sob fajutos argumentos para atrocidades maiores contra a sociedade.

Filosofiar, é isto afinal de contas. Uma maneira de filosofar tomando um café numa caneca esmaltada verde com as flores amarelas, olhando aquela “chuva de molhar bobo” e imaginar as alamedas prussianas de Túlia por onde passeava Kant (célebre pensador) que escreveu “não se ensina filosofia, ensina-se a filosofar”.

Alguns dirão:

“Exagero! É só uma corrida”.

Jonas Dias de Souza é graduado em Filosofia pela UFSJ

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