Na “Pátria Educadora”, Capes anuncia o fim de modalidade de bolsas de intercâmbio para alunos universitários. Futuro do projeto ainda é incerto

Governo anuncia término de Ciência sem Fronteiras para estudantes universitários (imagem da internet)
Governo declara término de “Ciência sem Fronteiras” para estudantes universitários (imagem da internet)

Estudantes de graduação não podem mais carimbar o passaporte para estudar fora do Brasil através do Programa Ciência sem Fronteiras. A informação foi divulgada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) na última segunda (25).

Segundo a instituição, os gastos com alunos de graduação no exterior são muito altos, o que inviabiliza o Programa. Após levantamento do Governo, foi constatado que o mesmo valor pode ser investido com maior abrangência em outros segmentos educacionais.

“Um ponto considerado foi o custo elevado para a graduação sanduíche, cerca de R$3,2 bi para atender 35 mil bolsistas em 2015 na Capes, valor igual ao investido em alimentação escolar para atender 39 milhões de alunos”, compara a Capes.

A instituição avalia ainda que as Universidades brasileiras não foram preparadas para o Programa. “As instituições não desempenham um papel ativo no processo de mobilidade acadêmica. Um exemplo disso é a aceitação de equivalência de disciplinas cursadas em outros países”, salienta.

Alunos

Estudantes universitários perdem mais um incentivo do Governo voltado para Educação (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Entre 2012 e 2013, a Engenheira Mecânica Paula Oliveira participou do Programa, com bolsa para estudar em Portugal. Segundo a ex-aluna da UFSJ, o Ciência sem Fronteiras foi um importante combustível para uma formação ampla.

“A experiência de viver em um outro país e conhecer várias culturas diferentes através do intercâmbio traz um crescimento pessoal muito grande, há muito aprendizado e amadurecimento. Para a formação profissional, estudar fora valoriza, e muito, o currículo”, enfatiza.

Lucas Guimarães estuda Agronomia na UFLA. Ele se forma daqui um ano e não poderia ter acesso ao Programa. Mas lamenta o corte do Governo.

“Acredito que a manutenção do programa é de extrema importância para o desenvolvimento profissional e pessoal dos estudantes, com acesso a novas tecnologias, metodologias diferentes e, principalmente, o contato com novas culturas”, afirma o futuro agrônomo.

Ensino Médio e Pós

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A proposta do Governo é que o Ciência sem Fronteiras seja retomado com foco no ensino de idiomas, no Brasil e exterior, para jovens de baixa renda, que cursem o ensino médio em escolas públicas.

Alunos de pós-graduação também continuam contemplados pelo Programa. Informações da Capes dão conta de que para esse nível, as bolsas “permanecem e, dentro do limite financeiro disponível, poderão até ser ampliadas”, ponderou a instituição.

O Ciência sem Fronteiras foi lançado em 2011 com a meta de conceder 101 mil bolsas. Elas são voltadas para as áreas de ciências exatas, matemática, química e biologia, engenharias, áreas tecnológicas e de saúde.

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