Livro “Doce Vida” desmente que só existe alimentação amarga para diabéticos

Para muitos portadores da doença, o grande martírio é cortar o açúcar da alimentação. Mas cresce número de produtos e receitas para quem padece com diabetes

Aumenta a oferta de produtos, mas preços salgados afastam quem não pode comer açúcar (Foto: Gabriel Rosa/SMCS)
Aumenta a oferta de produtos, mas preços salgados afastam quem não pode comer açúcar (Foto: Gabriel Rosa/SMCS)

O Centro Cultural da UFSJ (CCUFSJ) recebe o lançamento do livro “Doce Vida” nesta quinta-feira (17), às 19h. Durante o evento, estarão presentes o presidente da Associação de Portadores de Diabetes de São João del-Rei (APD), o professor e psicólogo Marcos Vieira Silva, e a nutricionista Amanda Silva. O CCUFSJ fica ao lado do Largo do Carmo e a entrada é gratuita.

O lançamento da obra faz parte da programação da “19ª Campanha Nacional Gratuita em Diabetes”, que vai até a próxima sexta (18). Segundo Silva, o livro reúne receitas saborosas e baratas que podem surpreender aquele que torcem o nariz para produtos Diet (sem adição de açúcar) e Light (com cerca de 25% menos calorias, mas que pode conter açúcar).

Para controlar o desejo pelo “gosto doce da vida”, a são-tiaguense Pollyana Freitas comemora o aumento de produtos diet nas prateleiras dos supermercados. Para ela, isso facilita bastante a dieta pobre em açúcares. “Quando a gente não pode consumir determinado ingrediente, a vontade aumenta”.

Na família de Pollyana, a doença é genética e ataca diversas gerações. Apesar disso, ela nem suspeitava da patologia, cujos sintomas são silenciosos. No entanto, por conta do histórico familiar, a mãe da jovem estranhou alguns comportamentos da filha, e detectou o problema com aparelho que mede o nível de glicose no sangue, compartilhado por vários parentes.   

“Em uma semana, emagreci dez quilos. Levantava a noite toda para tomar água, já que a boca fica seca. Minhas pernas estavam pesadas, parece que eu estava perdendo a força do corpo. Minha mãe foi medir minha glicose e estava em 800. Fiquei apavorada. Fui internada, tomei insulina e medicamentos. Hoje, estou bem, mas graças a uma dieta sem açúcar e com carboidrato reduzido”, conta Pollyana.

Novos hábitos

Apesar de tantas tentações, há um jeito de driblar a fome de formiga (imagem da internet)
Apesar de tantas tentações, há um jeito de driblar a fome de formiga (imagem da internet)

A são-tiaguense é exemplo de superação. Segundo o psicólogo da APD, é possível “trabalhar com opções de alimentos e receitas mais baratas, já que a maior parte das pessoas têm dificuldades para adquirir produtos light/diet disponíveis no mercado, em função do custo elevado”.   

O portal Agência Embrapa de Informação Tecnológica ressalta que o padrão de consumo dos brasileiros mudou com passar dos anos, o que refletiu no aumento do consumo de açúcar.

“Na década de 1930, o consumo médio anual de açúcar era de 15 quilos por habitante. Já nos anos 1940, aumentou para 22. Na década de 1950, o consumo passou para 30 quilos por pessoa, e 32 nos anos 1960. Em 1970, a média era de 40 quilos e, em 1990, esse índice estabilizou-se em 50 quilos por habitante”.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que o consumo excessivo do produto, além da diabetes, pode gerar hipertensão, obesidade e problemas na dentição.

A Organização sugere, dado o alto índice do produto na dieta dos brasileiros, que a ingestão do alimento seja reduzida pela metade. Mas é bom ficar atento às embalagens nos supermercados, já que existe açúcar onde menos se espera.   

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