Maconha pode ser cultivada pela UFSJ para pesquisas medicinais

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Cultivo fornece material para pesquisa medicinal (Imagens da internet)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o cultivo de maconha (Cannabis sativa) pela UFSJ. Com a permissão, será possível realizar pesquisas sobre tratamentos médicos a partir de substâncias presentes na planta, os chamados canabinoides.

As pesquisas ocorrem no campus Dona Lindu (Divinópolis), onde ficam os cursos de Farmácia e Bioquímica da Universidade.

O uso dos canabinoides tem aplicação em doenças que afetam o sistema nervoso como epilepsia, esclerose múltipla, anorexia.

Segundo informações da Assessoria de Comunicação (Ascom) da UFSJ, o cultivo da maconha é feito no sistema in vitro (dentro de tubos de vidro de laboratório). As sementes das plantas foram doadas pela Polícia Civil, por meio de autorização judicial.

A UFSJ é a primeira Instituição de Ensino Superior do Brasil a receber autorização da Anvisa para cultivar Cannabis in vitro. Embora os estudos já sejam desenvolvidos pela Unifesp desde a década de 1950, a maconha precisava ser importada.

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Planta já é usada para fins terapêuticos

Para o professor de Farmacognosia da Federal de SJDR, Joaquim Almeida, que fez pós-doutorado no uso de drogas vegetais no sistema nervoso na Unifesp, o cultivo da maconha na UFSJ é um avanço nas pesquisas da área, já que facilita a coleta do material.

“Pensei em poder contribuir com a pesquisa nacional, pois todo o material utilizado por estes pesquisadores (da Unifesp) foram ou são importados de outros países como Inglaterra, Estados Unidos e Alemanha”, disse o professor ao site da UFSJ.

Ao lado de Almeida, a professora e coordenadora do Laboratório de Biotecnologia Vegetal, Vanessa Stein, encabeça os experimentos com proposta de nova metodologia para a obtenção das substâncias medicinais presentes na Cannabis.

Maconha terapêutica

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Componentes da planta podem ajudar no tratamento de neuropatias

O Conselho Federal de Medicina autorizou, em 2014, o uso do canabidiol (um dos canabinoides presentes no tecido da maconha) em crianças e adolescentes resistentes aos tratamentos convencionais de epilepsia.

O canabidiol e o tetraidrocanabinol (também derivado da Cannabis) foram retirados da lista de substâncias perigosas e regulamentados pela Anvisa entre 2015 e 2016.

Desde o início deste ano, medicamentos à base desses dois compostos já são comercializados para o tratamento de esclerose múltipla.

Na América Latina, o Chile possui a maior plantação legal da erva: são 6,9 mil mudas destinadas ao desenvolvimento de medicamentos para o tratamento de pacientes com doenças cancerígenas, epilepsia e mal de Parkinson.

O cultivo da Cannabis começou na UFSJ no início do mês de outubro. O projeto de pesquisa terá parceria de outros grupos de estudo da Instituição que trabalham com tratamento de neuropatias.

Com informações/Ascom UFSJ

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