Mariane Motta*

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Caldeirão pré-eleitoral de 2018 (Imagens/Reprodução da internet)

Pouco se sabe ainda sobre as candidaturas neste ano, sabe-se menos ainda as reais intenções de Luciano Huck na política. O apresentador já declarou que não seria candidato à presidência, mas depois do último dia 07, ficamos na dúvida se realmente as próximas eleições não terão um candidato global.

O penúltimo Programa do Faustão veiculou cenas de Luciano Huck e Angélica discutindo política. Em diversas vezes, Huck fez referência à corrupção de forma generalista, chegou até a se referir à corrupção como uma “fratura exposta no Brasil”.

Podemos perceber que o discurso de renovação da política vem crescendo por parte de alguns candidatos e foi esse mesmo discurso de renovação que motivou parte da população a ir às ruas pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Diante dessa última experiência, devemos sempre desconfiar de certos discursos que afirmam que só com a renovação a situação política poderá melhorar, não foi isso que aconteceu após o impeachment.

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Casal fala de política em horário nobre do domingo

Huck utilizou também diversas vezes a palavra “ressignificação” da política. Porém, para ressignificar, no sentindo de mudar a política, o candidato deverá “bater de frente” com uma cúpula de políticos. E, no caso de Huck, que vem dialogando com os caciques do DEM, que estão longe de querer mudanças para a política, acho difícil acontecer essa ressignificação, tendo como base aliada políticos tão conservadores e ligados à diversas denúncias de corrupção.

Ou ele terá que ser popular o suficiente para barrar as ideias da própria base aliada, ou terá que pagar a deputados da mesma forma em que Temer (PMDB) tem feito para aprovar as reformas.

No entanto, acho difícil que deputados votem contra seus próprios interesses, mesmo que estejam recebendo para isso. Ao falar de ressignificação, Huck não leva em consideração o presidencialismo de coalizão, que depende de uma base aliada forte que aprove os projetos do executivo e também não leva em consideração o contexto político brasileiro, que tem uma Câmara dos Deputados que quase não se renova.

Global incomoda

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Huck já incomoda ação no TSE corre contra global

Mas o fato é que a participação de Huck no programa da Globo, discutindo política, incomodou. O PT protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma representação por abuso dos meios de comunicação e poder econômico praticado pela TV Globo e pelos apresentadores Luciano Huck e Faustão.

O Partido alega que Huck utilizou o programa de forma despretensiosa para a promoção de sua pré-candidatura. O ministro do TSE, Tarcísio Vieira, enviou o caso à Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral, como o PT solicitou.

O Partido pede que a Corregedoria caracterize abuso de poder econômico e de meios de comunicação da TV Globo e do apresentador Fausto Silva e que Huck fique inelegível.

A aparição de Huck no programa teve grande visibilidade, chegando a 20 pontos de audiência. E o fato não só incomodou o PT, mas a classe política como um todo. Auxiliares de Temer já afirmaram que a entrevista de Huck pode até impactar as próximas pesquisas de intenção de voto para o Planalto.

Ecos do passado – debate entre Collor e Lula (1989)

Se observarmos o histórico da Rede Globo em tentar manipular eleições, devemos dar crédito às acusações por parte do PT com relação ao abuso dos meios de comunicação e de poder econômico.

Nas eleições de 1989, por exemplo, a emissora editou no Jornal Nacional o debate entre os candidatos Collor e Lula, a fim de beneficiar o candidato da emissora, que era Collor. Não se tem dados para saber se essa manipulação influenciou ou não as eleições, mas Collor ganhou naquele ano conforme a Rede Globo desejava.

Se a entrevista de Huck e Angélica pode impactar os resultados das próximas pesquisas de intenção de votos, não sabemos. Mas tem grandes chances disso acontecer, tendo em vista a alta audiência do programa e a repercussão que vem ganhando.

Queda de braço

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Quem serão os aliados?

Mas a grande questão é que dependendo do resultado das próximas pesquisas, pode ser um estímulo a Huck se candidatar. Mesmo sem ter muita chance eleitoral devido à falta de fundo partidário, o tempo de propaganda oficial na TV, o pouco tempo para rebater Bolsonaro e suas ideias conservadoras, Huck ainda pode entrar para a disputa, ainda mais diante de um cenário tão incerto para a eleição este ano.

O PT é o que mais deve se preocupar com uma possível candidatura de Huck, pois os resultados das últimas pesquisas de intenção de voto indicam que Huck teria votos na faixa que é dominada pelo ex-presidente Lula, que são os mais pobres, menos escolarizados, nordestinos e nortistas.

Além disso, o PT ainda depende do resultado do julgamento que acontecerá no dia 24 de janeiro, em Porto Alegre, no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), que definirá o destino político do ex-presidente.

As eleições este ano estão ainda muito incertas. E diante dessa última aparição de Huck no programa de Faustão, não sabemos se teremos ou não um candidato global.

De uma coisa podemos ter certeza, Huck tem utilizado desse discurso de mudança e ressignificação, que soa muito hipócrita, já que tem feito acordos com partidos como o DEM, que está longe de querer realizar mudanças efetivas na política e que tem um histórico de privilegiar os grandes empresários e ruralistas, ou seja, os já privilegiados.

Se de fato, o global se candidatar e se eleger, ele precisará enfrentar os caciques da política, se é que de fato vai querer fazer alguma reforma, a fim de ressignificar a política.

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