Penúria no SUS deixa 904 mil cirurgias na fila de espera

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Para quem não pode pagar, a penúria da fila

Não é novidade que a penúria do Sistema Único de Saúde (SUS) afeta milhares de brasileiros. Mas uma pesquisa inédita, divulgada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) nesta segunda-feira (04), indica que o problema é bem mais grave do que se pensa.

O levantamento do CFM aponta que pelo menos 904 mil cirurgias eletivas estão pendentes no SUS em diferentes estados e municípios do país. As cirurgias eletivas não são de urgência ou emergência.

O estudo mostra que, do total, pelo menos 746 procedimentos cirúrgicos esperam há mais de dez anos e 83% dos pedidos entraram na fila a partir de 2016. A pesquisa traz dados enviados pelas secretarias de saúde de 16 estados e dez capitais até junho deste ano.

Por ser o primeiro levantamento desse tipo, não há dados dos anos anteriores. A pesquisa contabiliza o número de procedimentos agendados, e não o número de pacientes na fila.

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Sucesso no tratamento depende de atendimento rápido

Na lista de espera, a maioria dos pedidos de cirurgias é de catarata, hérnia, vesícula, amígdalas e adenoide, além de cirurgias ortopédicas. Os estados de Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Ceará apresentaram o maior número de cirurgias pendentes.

As mulheres representam 67% dos pacientes que aguardam algum tipo de procedimento especializado. Médicos alertam que a demora na realização de determinado procedimento é decisiva no sucesso de um tratamento.

Presidente em exercício do CFM, Mauro Ribeiro defende mais eficiência das políticas integradas entre União, Estados e Municípios, para evitar essa penúria.

“O número de pacientes que precisam dos procedimentos e não tem acesso ao Sistema Único de Saúde é imenso. É necessário que o Governo Federal estabeleça políticas públicas com Estados e Municípios para organizar o sistema e dar acesso a esses pacientes ao SUS”, afirma.

Segundo levantamento do CFM, o SUS realizou no ano passado mais de 1,5 milhão de cirurgias eletivas. O número é inferior aos anos de 2015, que registrou 1,7 milhão de cirurgias; e 2014, com o total de 1,8 milhão, com base em dados do sistema de informação do Ministério da Saúde.

O Ministério da Saúde divulgou na semana passada balanço parcial de 2017, que mostra crescimento de 39% no número de procedimentos realizados na rede pública entre janeiro e setembro, mês que registrou mais de 150 mil cirurgias.

Ministério da Saúde

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Enquanto isso…

O Ministério da Saúde informou que, em julho deste ano, foi fechada a primeira lista para cirurgias eletivas no SUS. A lista identificou pouco mais de 667 mil pacientes aguardando por algum procedimento eletivo no país.

O Ministério ressalta que em maio deste ano adotou o sistema de lista única para organizar a rede de saúde e diminuir a fila de espera.

O novo sistema tem o objetivo de centralizar as demandas em um único cadastro e ampliar as possibilidades de atendimento do paciente para outros hospitais de sua região.

A Pasta informou ainda que o Governo Federal repassa de forma regular, mensalmente, recursos de média e alta complexidade a todos os Estados e Municípios.

O Ministério informou ainda que dispõe de R$250 milhões em valores extras que poderão ser liberados para os gestores locais. Cerca de R$41,6 milhões já foram liberados este ano para a realização de mutirões.

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