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Situação de pobreza (imgaens/Ibge)

A pobreza bate à porta de um quarto da população brasileira. É o que revela publicação do Ibge divulgada na última sexta-feira (15). O estudo se refere a 2016 e estima que dos 207 milhões de brasileiros, 25,4% vivem com menos de R$347 por mês.

O critério do Ibge para definir pobreza é o mesmo adotado pelo Banco Mundial. É considerado pobre quem ganha menos do que US$5,50 por dia nos países em desenvolvimento. Convertido para a moeda brasileira, o valor é de R$18 no câmbio atual.

Os dados ainda indicam que o Brasil tinha cerca de 13,4 milhões de pessoas em condição de pobreza extrema em 2016. Os 6,5% dos brasileiros nessa situação viviam com até US$1,90 por dia, ou R$6,52 também em conversão atual.

Além do aspecto financeiro, a Síntese de Indicadores Sociais 2017 apresenta uma pobreza multidimensional, que mede o acesso da população a bens e a serviços que estão relacionados aos direitos sociais.

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Pobreza extrema

Do total da população, pelo menos 64,9% tinham restrição de acesso a pelo menos um dos direitos analisados – à educação, à proteção social, à moradia adequada, aos serviços de saneamento básico e à internet.

Segundo o Ibge, o Brasil não tem uma linha oficial para medir a miséria. Por isso, além do Banco Mundial, a metodologia de análise levou em consideração outros parâmetros, como políticas públicas que distribuem bolsas às pessoas carentes.

“Não existe uma medida oficial no país. O que há são critérios adotados para objetivos diferentes, como programas de transferência de renda. O Brasil Sem Miséria, por exemplo, adota a linha de até R$ 85 mensais per capita (pobreza extrema) e R$ 170 mensais per capita (pobreza)”, comenta o pesquisador do Ibge, Leonardo Athias.

O perfil da pobreza 

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Retrato do Brasil

Embora não haja um critério oficial para medir a carestia, o Ibge aponta o perfil daqueles que sobrevivem em situação de carência.

A condição é mais grave entre os 7,4 milhões de moradores de domicílios onde vivem mulheres pretas ou pardas sem cônjuge com filhos de até 14 anos. Desses, 64,0% estavam abaixo da renda de R$347 por mês.

O panorama se repete para aqueles que vivem na pobreza extrema. Novamente, os moradores de domicílios compostos por mulheres pretas ou pardas sem cônjuge com filhos de até 14 anos são o grupo mais vulnerável (81,3%).

Para Athias, é preciso ressignificar a definição do que é ser pobre, já que o crescimento econômico do país pode não significar uma distribuição de renda mais igualitária entre as pessoas.

“O crescimento econômico pode trazer mais renda para as famílias, porém ele pode não ser acompanhado de acesso a direitos. O Centro-Oeste é um exemplo de onde esse fenômeno ocorre, uma vez que o impulso econômico do agronegócio nem sempre é acompanhado de uma boa infraestrutura de serviços públicos”, salienta o pesquisador do Ibge.

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