São Tiago faz 72 anos e Trem de Ler questiona: que cidade vamos construir para o futuro?

Editorial

Não sabemos quanto somos sem Censo (dir.: homens esq.:mulheres Fonte: IBGE)

Aniversário é dia de comemorar, cantar parabéns, soprar velas, fazer pedidos. Também é um convite para reflexão, afinal, o que desejamos para o futuro? Nesse sentido, o Trem de Ler entende que os 72 anos de emancipação político-administrativa de São Tiago é um momento de escolhas sobre que município queremos construir para o futuro.

O desafio começa em saber quantos somos. Com o corte de recursos do governo Federal para realização do Censo 2021, ficamos reféns de estimativas que podem não retratar a realidade local. Vale lembrar que o último levantamento do IBGE foi em 2010. Quais perfis societários mudaram no município desde aquele ano?

Essas informações são fundamentais para orientar, principalmente, o governo Municipal no planejamento de políticas públicas que afetam a população. A pirâmide etária de 2010 indicava que a distribuição populacional se concentrava na faixa entre 15 e 54 anos de idade. Por certo que envelhecemos. Mas, será que os idosos são a maioria? Se sim, como adequar os espaços públicos a eles?

As medidas não compreendem apenas a adaptação de espaços públicos. Mas, inferir que a população pode estar mais velha requer analisar todo o conjunto de serviços públicos ofertados pelo município: lazer, cultura e, talvez, o mais sensível de todos, a saúde. Seria inconcebível pensar uma cidade com população mais envelhecida sem especialidades geriátricas, que incluem ortopedia, neurologia, cardiologia, oncologia, para ficar no raso das necessidades.

Crescimento desordenado

são tiago
Não é saudosismo. É minimalismo mesmo

Já faz algum tempo que jogaram sementes e brotaram prédios na cidade. É natural que a valorização imobiliária de espaços mais centrais apresente tendência de elevação com o passar do tempo. Mas o conjunto arquitetônico precisa ser preservado, a fim de que a memória do município não vire areia para a verticalização do conjunto urbanístico.

A manutenção de áreas verdes e de espaços de lazer é outro ponto inquestionável para um município que se pretende saudável no futuro. No entanto, São Tiago ainda patina nesse quesito. Embora não seja obrigatório para municípios com menos de 20 mil habitantes (não sabemos quantos somos), poderíamos já ter estruturado um plano diretor, ferramenta que guia todo o projeto urbanístico e sua relação com o meio ambiente e com o desenvolvimento econômico.

Em 2017, a cidade viu a rua Joaquim Marques, no Centro, ser engolida por uma cratera. No bairro Nações Unidas, em 2020, a situação quase se repetiu. Enquanto novos loteamentos pipocam daqui e dali, não se vê nenhum estudo com bases científicas que garantam uma previsibilidade mínima de desastres que podem ser evitados. É fato que, após a tragédia da Joaquim Marques, foi instalada a Defesa Civil no Município, um progresso. No entanto, é preciso municiar o órgão com pesquisas consolidadas sobre o parcelamento urbano.

Não só o parcelamento urbano deve ser levado em conta, mas a exploração rural. Em algumas audiências da Câmara de Vereadores deste ano já foi abordada a questão dos rios do município. A extração de areia é um problema que precisa ser posto, definitivamente, em pauta. Senão, o assoreamento dos leitos pode culminar, em um futuro próximo, com a morte dos mananciais que cortam São Tiago.

Jovens

No aniversário de 72 anos de São Tiago, o Trem de Ler ainda se dispõe a refletir sobre o que temos feito pelos mais jovens no município. Como temos noticiado constantemente, o consumo de crack expandiu vertiginosamente na cidade, principalmente entre a população mais nova.

A isso, observa-se os jovens repetirem as gerações anteriores. Generalizadamente, a inicialização da adolescência ocorre em espaços dedicados ao consumo de álcool nos finais de semana. Não há alternativa de entretenimento que não seja a socialização por meio de rodadas e mais rodadas de álcool.

A cidade conta com um centro esportivo fechado por anos. Há que se recuperar, de uma vez por todas, a Praça de Esportes. Também é preciso criar e ampliar os espaços de formação cultural, sem os quais é impossível formar verdadeiros cidadãos. As escolas, com os parcos recursos que possuem e com o esforço dos profissionais, cumprem, dentro do possível, essa socialização que foge aos espaços noturnos. Porém, parcerias público-privadas podem ser decisivas para a consolidação de uma juventude sadia com acesso a cinema, teatro e outras ambientações que promovam a cidadania plena.

O conjunto de ações não deve ser apenas de iniciativa do poder público, mas da esfera civil. Não podemos ser omissos com o futuro que queremos para o município. Reconhecemos que existem avanços, como os vários jovens que têm tentado se profissionalizar no futebol. Mas a premissa de que a evolução é um processo e, por isso, contínua, deve estar incutida em nossas posturas para decidirmos como será São Tiago amanhã.

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