Seção do Leitor – A “pós-verdade” do movimento estudantil, a PEC e o golpe

Por: Samuel Vieira*

Manifestações contrárias e favoráveis a PEC ganham espaço na agenda política e midiática nacional. Leitor do Trem de Ler defende necessidade da proposta para pôr as contas em dia

Apesar do movimento estudantil, muitos alunos não são contra as reformas do Governo (imagens da internet)
Apesar do movimento estudantil, muitos alunos não são contra as reformas do Governo (imagens da internet)

Tenho acompanhado com preocupação os fatos recentes envolvendo a política nacional, em particular, o relativismo moral que toma conta de vários movimentos que nunca me representaram como estudante.

A ação de tais movimentos, a lá greve de taxistas, dispara o número de downloads do UBER, o que aumenta o market-share desse app malvadão e traz desvantagem para a classe de motoristas. O mesmo se repete com estudantes que se rebelam uns contra outros, enfraquecendo o movimento.

Exemplo disso é o descontentamento que vários alunos secundaristas tiveram ao ver seu direito à educação tolhido na hora de fazer o Enem, talvez o passo mais importante das suas vidas acadêmicas.

É lamentável que muitos tenham dificuldades de entender um conceito econômico simples associado a PEC 55. O movimento estudantil não representa os estudantes, e, a meu ver, não representa também a maioria daqueles que querem estudar.

De início, causa-me perplexidade os frágeis argumentos contra a PEC 55. Ora, o princípio econômico mais elementar enuncia de maneira simplificada a seguinte verdade: “não se pode gastar mais do que se ganha”!

Se a frase é verdadeira, por que ser contra a PEC dos gastos? Por que achar que manter o nosso dinheiro nas mãos do estado brasileiro é uma solução que funciona com os fartos exemplos de corrupção nos mais altos escalões de governo?

Entretanto, esse não é o motivo fundamental da pós-verdade do movimento estudantil. Há todo um discurso de “direitos” que não se preocupa com “deveres”. De quem é o dever de financiar o gasto público? A resposta óbvia é o POVO, os cidadãos pagadores de impostos.

O que não é de todo verdade, por exemplo quando uma parcela dessa população compra títulos de dívida pública, em alguns casos com economias da vida toda. É complexo, contudo, perceber que para haver gasto público é necessário que a sociedade consiga financiá-lo. Aí está o problema!

Não é óbvio que o gasto público, quando desmesurado, cause inflação e aflija principalmente a população mais pobre, e que o estado se submeta a taxas de juros cada vez mais extorsivas a cada Real que a dívida do governo aumenta.

É esse o objetivo da PEC 55, é essa a doença que precisamos tratar. Propostas como taxar fortunas e lucros gerariam ainda mais desemprego e desesperança. Poucos estudantes percebem isso!

O governo tem que se impor um limite. Assim como não é possível uma pessoa desempregada querer financiar seu padrão de vida com o cheque especial, também o poder público não pode expandir serviços que a sua população não consegue bancar. Infelizmente essa é uma verdade traumática de compreensão necessária, não é golpe, é bom senso.

Impedir que os gastos aumentem no curto/médio prazo é o caminho mais correto para que eles possam voltar a crescer depois que o país ganhar musculatura econômica para financiar o bem social de todos.

A educação perderá? Devo ser franco ao dizer que sim, o remédio amargo é necessário, depois do gasto ter aumentado pelo populismo. Iniciativas como a proibição das “pedaladas” e o controle dos gastos públicos podem elevar a produtividade da economia brasileira, e trazer de volta a esperança de dias melhores.

Os movimentos de estudantes não podem esquecer que não adianta nada educar-se, sem que o país consiga controlar os preços e gerar os empregos, que os farão “deixarem” de ser estudantes.

*É graduado em Física pela UFMG, mestre Ciências Econômicas pela UFV e doutorando em Planejamento Energético pela UFRJ 

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