Somos individualistas

*Por: Marco Antonio Damascena

(Foto: Douglas Caputo)
(Foto: Douglas Caputo)

Mário Sergio Cortella define a ética como: “o conjunto de valores e princípios que utiliza para responder a três grandes questões da vida. Quero? Devo? Posso? O mesmo educador define a moral como “a prática de uma ética”. “A concepção de ética é o princípio, moral é a prática”. Continua o filósofo: “Nem tudo que quero posso; nem tudo que posso devo; e nem tudo que devo quero”.

Nesse sentido, o país vive uma crise moral que passa por estados e chega aos municípios. Em época eleitoral, devemos pensar como cidadãos éticos e nos perguntarmos o que os futuros candidatos “querem”, “devem”, “podem”.

Será que o político “querem” o bem-estar do cidadão que o elegerá? “Devem” os futuros ocupantes de cargos eletivos desempenharem suas funções de forma transparente e participativa? “Podem”, aqueles que serão eleitos, fecharem os olhos para a cleptocracia, ou seja, ignorar os autos índices de corrupção que assolam o nosso país?

Assim sendo, qualquer pessoa que assuma o executivo, independente de legenda, deverá privilegiar a profissionalização dos agentes públicos, pois, infelizmente, a sociedade atual está sem esperança, descrente e indignada.

Endemicamente, o que se depara na sociedade atual é que a classe política faz o que pode e o que não pode ou não devia poder. O que além de prejudicar a gestão pública, afeta também o setor privado.

A desconfiança na classe política gera incertezas no país e até nos pequenos municípios. Enganam-se quem acha que uma má gestão municipal compromete apenas a área pública.

Portanto, devemos ter em mente que um gestor competente deve gerir pessoas, conduzir processos e adaptar-se às novas realidades, que estão surgindo em todas as camadas sociais. Não adianta mais ser um bom líder político se não tiver conhecimento técnico. Este conhecimento vai ajudar na tomada de decisões em favor da comunidade de forma justa.

Não é só a classe política que tem sua parcela de culpa, pois todos nós somos individualistas. Em alguns casos, não consideramos corrupção quando um funcionário público recebe um presente de uma empresa, que tem algum tipo de contrato com o governo. O que percebemos é que em todos os níveis a parcialidade é gritante.  É o famoso: “se todo mundo faz, por que eu não posso fazer”?

Como eleitores, devemos lutar por uma administração pública responsável, ética e menos individualista.

*É bacharel em Administração Pública pela UFSJ

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