Trem de Ler aposenta locomotiva e vagões da notícia

O Trem faz uma breve pausa na estação, para seguir outros rumos. Os trilhos continuam a abrir caminho, mas é hora de pegar as malas e descer. Descer não para parar, mas continuar novas jornadas

O trem é só o meio. O fim continua... trilhando por outros caminhos na história que apita diariamente
O trem é só o meio. O fim continua… trilhando por outros caminhos na história que apita diariamente

“O Jornalismo é como cachaça. Vicia”. Ouvi essa frase de um mestre que muito me ensinou e sempre que pôde, abriu-me as portas. Para o conhecimento e para vida.

Comecei as escrever minhas reportagens aos 18. Recém-entrado no curso de Letras da UFSJ, mas com o coração pulsando para ouvir histórias e conta-las aos outros. Consegui meu objetivo.

Logo no segundo semestre da Universidade, fui me meter na redação de um jornal online, um vanguardista nas Vertentes nos idos de 2003.

Não parei mais, pulei para o impresso, para o institucional, passei por várias assessorias de imprensa, passeei brevissimamente pelo rádio e pela TV. Mas meu lar mesmo foi a internet.

Sonhava grande, com um jornal que cobrisse os grandes acontecimentos do Brasil. Talvez Brasília, epicentro da história política. Talvez, Rio de Janeiro e São Paulo, cidades dos conglomerados de mídia. Ou mesmo Belo Horizonte, inspirado pela geração de escritores e jornalistas de 1945.

Nada disso aconteceu. Talvez teria sido uma experiência enriquecedora ou a realização de uma vaidade pessoal. Confesso que cheguei a prostrar-me. Mas nunca desisti do jornalismo.

Melhor, descobri que o jornalista tem uma função social importante, seja numa metrópole ou numa cidade de dez mil habitantes. Os quais produzem notícia, os quais precisam ser vistos, os quais merecem ganhar vida midiática.

Por que não falar de um buraco na rua? Isso pode ajudar um grupo de pessoas a pedir socorro e reivindicar seus direitos. Por que não tentar esclarecer o corte de uma árvore ou o mato que cresce sem parar próximo às calçadas?

Fiz tudo isso e mais um pouco. Talvez para alimentar minha pueril curiosidade: “- Mas por quê?”. Talvez pelo sentimento de ajudar o outro a tentar entender o mundo. Talvez para lutar por uma democracia mínima, já que somos peixinho perto de tubarões.

Nem por isso me intimidei. Quem disse que tamanho é documento? O cão que rosna e ameaça, nem sempre é o que ataca. Sai de fininho, com o rabo entre as pernas, com um simples passa fora.

Os silenciosos, esses sim são perigosos, justamente porque o silêncio deles é uma vã tentativa de interromper o trabalho da mídia. Vã porque corremos atrás de outras fontes, pesquisamos e, sempre, conseguimos trazer os fatos à tona.

Mas o Trem não pode ficar parado na estação. Ele deve cumprir seu itinerário e nos levar para outros caminhos. É hora de pegar as malas e partir. O sonho não acabou, apenas a rota que mudou seu caminho.

Continuamos na ferrovia. Mas com destino diferente. O Trem de Ler, oficialmente, para suas atividades. Sem dúvidas foi uma ferramenta importantíssima para meu desenvolvimento profissional e creio, também, ter ajudado alguns e irritado outros.

O chamamento para outros caminhos traz um novo ânimo. Jamais deixarei de ser jornalista, diploma que também recebi da UFSJ em 2013. Mas este é o momento de descer de uma viagem que começou no dia 28 de março de 2016. Descer para justamente seguir em outras locomotivas.

Não sem antes agradecer a todos que tomaram acento ao nosso lado, leitores engajados, fiéis patrocinadores (SICOOB Credivertentes, Laboratório do Hospital e Centro Laboratorial, Casa de Carnes Santiaguense, Loja Natal, Fina Estampa). A todos vocês, muito obrigado.

Talvez seja muito pessimista pensar assim, mas neste momento, o Trem de Ler, que já foi Uai, aposenta seus vagões que, creio, ficarão no museu de memórias das pessoas que nos acompanharam. Apesar do clichê, tem a hora de plantar e colher.

O ciclo não para. Agora é tempo de semear nova safra. Estaremos juntos, mas de uma outra forma. Jamais sem perder o afã de ajudar nossa comunidade, de lutar por seus direitos, dar transparência aos fatos. Convido a todos para esse novo trilhar, que em breve será sabido de todos.

Só me resta reiterar: muito obrigado! Vocês, leitores, fazem parte da minha história e isso jamais poderei anular. Será uma breve pausa. Mas logo embarco novamente nos trilhos de um novo Trem de contar histórias sobre nosso mundo.

Douglas Caputo

Editor-chefe – MTB: 18844/MG

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