Marisa Monte lança álbum solo e inédito depois de dez anos

Embora seja uma espécie de “Marisa canta Marisa”, álbum inédito “Portas” lança letras recheadas de otimismo para tempos pandêmicos  

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Último álbum solo de Marisa, “O que você quer saber de verdade”, foi lançado em 2011

Otimismo. É com esse espírito que a cantora Marisa Monte volta à cena cultural depois de um hiato de dez anos sem álbum solo com composições inéditas.

Batizado “Portas”, o álbum lubrifica as dobradiças enferrujadas pela pandemia. Não por acaso a faixa-título versifica as múltiplas saídas de um corredor.

“As coisas têm uma evolução que às vezes não é do jeitinho que queremos, mas ainda assim, eu tenho muita esperança no futuro”, sentenciou Marisa em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

E foi com jeitinho que Marisa driblou o cárcere da pandemia. Concebido em 2019 e com gravações marcadas para 2020 em Nova Iorque, Portas teve que “reconfigurar o GPS”.

As videochamadas abriram as fechaduras da pandemia e permitiram o lançamento do álbum nessa quinta (1º), dia que Marisa completou 54 anos de idade.

“Eu achei que a gente não tinha muito a perder e deveríamos tentar uma gravação remota, apesar de todas dificuldades”, disse a cantora à Folha.

Disco

Ao ouvir Portas, surge aquela sensação de algo familiar. É Marisa sendo Marisa. A dicotomia entre o suave e o robusto, bem ao estilo da cantora.

As 16 faixas relembram aos fãs a identidade consagrada de Marisa, com cores de pop, samba e soul.

As melodias também são tradicionais, no background do vocal, violões, piano, bateria, guitarra, trompete e flauta.

A novidade aparece nas parcerias. Marcelo Camelo, Pretinho da Serrinha, Nando Reis, Seu Jorge, Pedro Baby, Silva, Chico Brown, filho de Carlinhos, Dadi, Flor, filha de Seu Jorge, e Lucas Silva.

Nessa lista não podia faltar o companheiro de longa data, Arnaldo Antunes. Junto a Carlinhos Brown, a trinca transitou pelo pop romântico dos “Tribalistas”.

A reinvenção de Marisa fica por conta das letras. Sem ignorar o caos pandêmico, ela sugere que as canções dialogam com a tensão de vários setores sociais.

“Num momento de tanto negacionismo, a gente precisa afirmar o que é compatível com a vida, ciência e democracia. Precisamos justamente de um afirmacionismo”, ressalta Marisa à Folha, que enfatiza o otimismo do álbum.

“Acho que estou contribuindo da minha maneira, com a resistência poética e amorosa, apontando para um futuro melhor com fé e carinho. E eu vejo coisas bonitas acontecendo no Brasil o tempo inteiro, pessoas que admiro militando nos seus microcosmos”, conclui Marisa.

Trem Cult

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