Editorial: prefeito acerta ao manter município na Onda Vermelha

O prefeito Alexandre Vivas acertou ao publicar decreto que mantém São Tiago na Onda Vermelha do Programa Minas Consciente. A estratégia faz frente ao governo do Estado que avançou a macrorregião de saúde Centro-Sul para a Onda Amarela na última sexta (09).

A optar pela permanência na Onda Vermelha e manter decreto que impede o retorno de aulas presenciais, o executivo municipal não cede à pressão do governo estadual pela volta das escolas das redes estaduais e municipais, do ensino básico.  

Na última quinta (08), o Comitê Extraordinário Covid-19 deliberou que municípios na Onda Vermelha, sem Cenário Epidemiológico e Assistencial Desfavorável, poderiam retornar as aulas presenciais. Embora o ensino remoto não seja o mais adequado, as aulas in locu põem em risco a reduções observadas nos índices da covid-19.

Em São Tiago, conforme vacinômetro publicado pela Secretaria Municipal de Saúde na última sexta (09), apenas 148 profissionais da Educação receberam a primeira dose da vacina contra a covid-19. Além de não ter encerrado todo o grupo, a segurança sanitária da comunidade escolar ficaria comprometida sem o esquema vacinal completo.

Embora esteja otimista com os números da covid e com a cobertura vacinal, o governo do Estado parece desconsiderar a ameaça das variantes do coronavírus, sobretudo a Delta, à eficácia das vacinas, liberadas emergencialmente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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Além disso, a segunda etapa do Censo Escolar 2020 indica que 99,3% das escolas brasileiras suspenderam as atividades presenciais durante a pandemia de covid-19. Os dados divulgados quinta passada (08), servem para ajudar na elaboração das diretrizes de biossegurança para o retorno às aulas presenciais. Ou seja, nada de improviso e desatino, já que a pandemia ainda não foi superada.

Exemplo disso é São Paulo, estado que lidera o ranking de vacinação no Brasil. Lá, a volta às aulas só será permitida a partir do segundo semestre deste ano. Mesmo assim, com adolescentes entre 12 e 17 sendo imunizados. A Anvisa liberou o uso da Pfizer para essa faixa etária dia 11 de junho, o que abre uma margem de segurança para o retorno escolar.   

Liberar o ensino híbrido no final do primeiro semestre também iria causar muito transtorno na rotina escolar dos estudantes. O impedimento decretado pelo prefeito permite que seja mantido o ensino remoto, já incorporado à vivência diária de estudantes e professorado.

O modelo híbrido também não seria garantia de permanência dos estudantes nas escolas. No ensino fundamental, eles iriam duas ou três vezes. Enquanto no Médio, poderia haver um intervalo de até sete semanas entre uma ida e outra às escolas.

O esquema híbrido ainda poderia se tornar um transtorno para os profissionais da educação. Isso porque eles teriam que se desdobrar para dar conta das atividades presenciais e remotas. Sem previsão de aumento salarial, a remuneração não faria jus à carga de trabalho desempenhada pelos profissionais.

Manter o Município na Onda Vermelha, portanto, parece ser a escolha mais sensata do prefeito Alexandre Vivas. Além de ajudar a obstruir um novo surto da covid-19 no município, impede que uma nova rotina escolar seja imposta abruptamente aos profissionais e estudantes.

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