Redes sociais reúne legião de “imbecis”

A assertiva é do filósofo Umberto Eco. É com parcimônia que o TREM DE LER replica a fala do escritor morto em 2016. Mas é em defesa do jornalismo profissional que destacamos o cuidado com as informações que produzimos para nossos leitores

Umberto Eco foi duro, mas pontual

A paixão por ouvir e contar histórias é o combustível que move o Trem de Ler. Numa época de desinformação, fake news e ameaças severas à Democracia, o jornal ressurge com o objetivo de checar os fatos, apurar as informações e narrar o cotidiano local.

As redes sociais democratizaram o acesso à produção de conteúdo. Qualquer pessoa pode gerar informações. Mas nem todos os usuários têm a preocupação de averiguar aquilo que publicam nas redes. Acreditamos e defendemos a liberdade de expressão como princípio que guia as sociedades democráticas.

A opinião de todos é legítima, desde que feita com responsabilidade. E é aí que mora o problema. Perfis falsos, perfis que emprestam suas contas para outros usuários – um caso clássico de falsidade identidade – e o pseudo anonimato enfraquecem o uso benéfico que as redes trouxeram para a democratização do saber compartilhado.

Talvez, por isso, o escritor italiano Umberto Eco, morto em 2016, foi tão rígido ao declarar sua opinião sobre o comportamento dos usuários de redes sociais. Ele não mediu palavras para expressar a sua angústia com a onda de quem se diz portador de verdades absolutas. E olha que o desabafo foi em 2015, quando o autor de o “Nome da Rosa” recebeu o título de doutor honoris causa na Universidade de Turim (Itália)

“As redes sociais deram o direito à palavra a legiões de imbecis que, antes, só falavam nos bares, após um copo de vinho e não causavam nenhum mal para a coletividade. Nós os fazíamos calar imediatamente, enquanto hoje eles têm o mesmo direito de palavra do que um prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis”, declarou.   

Por certo, não concordamos com a generalização de Eco. Mas, em certa medida, ele está correto. Nos guetos de interesses obscuros das redes sociais, supostos grupos de ‘pessoas do bem’ dizem o que querem sem se preocupar com as implicações de suas falas. Supõem-se médicos, cientistas políticos, historiadores… Tudo que a imaginação charlatã permitir.

Trem de Ler

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Em defesa do jornalismo profissional

O jornalismo profissional, acreditamos, é o antídoto contra a rede de desinformação que circula nas diferentes mídias sociais. Claro, somos passíveis de erro, mas diferentemente dos “imbecis” que insistem em suas falsas verdades, reconhecemos nossos erros de pronto e corrigimos nossas informações.

Repórter é chato. Telefona sem parar, interpela com perguntas indiscretas, cobra respostas, critica. Mas essas ações fazem parte da rotina de quem checa as informações até exaurir todas as possibilidades de desvios, gaps que podem prejudicar as notícias que levamos diariamente aos nossos leitores. Se não fosse assim, não teríamos razão de ser.

A prova disso vem na credibilidade que, gentilmente, nossos leitores depositam em nós. Só para se ter uma ideia de nosso alcance, entre domingo passado e hoje (18), nada menos que 5,3 mil usuários acessaram nosso site. Nesse intervalo de tempo, houve mais 12 mil visualizações de páginas do site. Somam-se a esses valores 7,7 mil sessões. Ou seja, as sessões medem a interação dos usuários com o conteúdo de um site.

Os números ainda são baixos perto dos gigantes da tecnologia. A comparação é até injusta. Mas revelamos algumas métricas para reforçar que a Comunicação exige responsabilidade. É fazer suar a camisa na incansável missão de informar com mais exatidão possível. Até o momento não fechamos nenhum patrocínio e não recebemos nenhum valor espontâneo de leitores, embora tenhamos pedido doações por meio de Pix. Isso é fundamental para dar continuidade ao trabalho.

Mas entendemos que o brasileiro padece com a crise sanitária que também adoece a economia. Estaremos ativos mesmo que não consigamos nenhum recurso. Sim. Trabalharemos de graça até que consigamos monetizar nossa página ou conseguir aportes publicitários. Essa semana mesmo, fomos interpelados por uma pergunta maliciosa: “Quem paga o Trem de Ler? Por que ninguém trabalha voluntário”. A pergunta dirigida a nós já veio com a resposta. Sem oportunidade de réplica. Enfim, produzimos um jornalismo profissional – sem recurso algum – para garantir que São Tiago esteja informada sobre os fatos que acontecem no seu cotidiano.

Vale destacar ainda que o Trem de Ler não é uma Assessoria de Comunicação. As Assessorias trabalham para um cliente específico, com intuito de fortalecer a imagem desse cliente. Isso é legítimo, mas não é nossa função. O resultado de nosso trabalho é a notícia em si. Por isso, mesmo que gere insatisfação a alguém, atendemos ao princípio de comunicar com clareza e objetividade todos os nossos leitores. A quem devemos nosso devido respeito por acreditarem em nosso trabalho.

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