Redução de tarifa da Copasa é um “balde de água fria”, diz usuária

Além da mudança no preço da distribuição de água, tarifa de esgoto será unificada e todos os consumidores vão pagar 74% do valor total da conta

A Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (Arsae-MG) aprovou redução nas tarifas da Copasa a partir de 1º agosto.

Em média, a redução tarifária para o consumidor final deve ser de 1,52%. Segundo o Agência Minas, site de informações oficiais do governo mineiro, o desconto vai considerar algumas características de consumo.

“A diminuição no valor final da fatura dependerá do volume consumido, do tipo de cliente (residencial, social, comercial, industrial e público) e do tipo de tratamento de esgoto utilizado”, informa o Agência Minas.

Para a balconista Fábia de Paula, que divide as contas de casa – e de dois filhos – com o marido, a redução vai ter um impacto muito pequeno no orçamento familiar, que é de cerca de R$1,5 mil por mês.

“Acho muito pouco. Na antiga casa que morávamos, eu pagava R$80 de água, mas R$40 era de taxa de esgoto. Como eu tinha quintal e usava muita água nele, acabava pagando por um serviço que eu não usava em sua totalidade. Para mim, a redução é um balde de água fria”, acentua Fábia.

Esgoto

Para a sorte de Fábia, que se mudou para um prédio que tem coleta e tratamento de rejeitos, a taxa de esgoto vai ficar 26% mais barata. Isso porque a Arsae também regulamentou a unificação dessa tarifa.

Até então, havia duas formas de cobrança. A EDC, para usuários que têm apenas a coleta e o afastamento do seu esgoto. Essa modalidade representava 25% da tarifa total de água.

Já a EDT, com serviço completo de esgoto (coleta, afastamento e tratamento), a taxa era de 100% referente ao valor pago na conta de água. Com a unificação das tarifas, todos os consumidores vão pagar 74% da fatura de água.

Valor que parece estranho ao ambientalista Mauro Pelluzi, já que os usuários da modalidade EDC vão ter uma fatura 49% mais cara, sem ter o serviço completo de esgotamento sanitário.

“Essa é uma forma de captar recursos de quem não tem tratamento ou ainda possui fossa séptica em casa. Penso que é uma manobra para atingir esses consumidores que pagam por um serviço que não é prestado em sua totalidade”, enfatiza Pelluzi.

Segundo levantamento feito pelo Cigedas a pedido Prefeitura de São Tiago, a sede do município possuía 2.999 imóveis com ligações ativas de rede de esgoto e outros 781 imóveis sem conexão em setembro do ano passado. Com a mudança tarifária, todos pagarão a mesma taxa de esgoto. Em Mercês de Água Limpa, a Copasa só tem concessão para o abastecimento. A coleta de esgoto é feita pela Prefeitura.

O Trem de Ler tentou contato telefônico com Arsae, em Belo Horizonte, mas ninguém atendeu às ligações. A reportagem também entrou em contato com a Assessoria de Imprensa da Copasa, que solicitou que as dúvidas fossem enviadas por e-mail. Mas até o fechamento da matéria, às 17h45 desta sexta, nenhuma resposta foi enviada.

Na publicação do Agência Minas, o governo do Estado já havia se antencipado sobre possíveis questionamentos sobre cobrança de serviços não prestados, mas tarifados pela Copasa.

Veja o que o governo diz:

Isso não significa que a Copasa passará a cobrar por um serviço não prestado, nos casos em que ainda não há tratamento de esgoto. As tarifas foram ajustadas para que o faturamento global da empresa corresponda ao que é devido pelo serviço efetivamente prestado, e serão feitas compensações nos reajustes anuais para corrigir possíveis desvios. Por outro lado, os usuários pagarão tarifas mais aderentes aos custos do serviço prestado e mais coerentes com o benefício percebido individualmente, lembrando que o tratamento de esgoto beneficia a coletividade e não apenas os usuários que têm seu esgoto tratado”.       

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